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Corinthians tenta evitar reação do conturbado São Paulo no Pacaembu

O São Paulo deverá ser recebido no Pacaembu com gritos de "o nosso freguês voltou" neste domingo, mais de uma semana após deixar o mesmo estádio com o vice-campeonato da Recopa Sul-americana. Os comandados de Paulo Autuori têm como objetivo desesperado calar as provocações e ir embora com uma vitória sobre o Corinthians, que seria a primeira em 11 jogos (com oito derrotas consecutivas).

Atento à necessidade do rival de se reabilitar no clássico, o time dirigido por Tite vivencia um momento muito mais tranquilo, porém segue distante das primeiras colocações do Campeonato Brasileiro. O empate por 1 a 1 com o Atlético-PR no gramado encharcado da Vila Capanema deixou o Corinthians com 10 pontos, mais perto da zona de rebaixamento do que do grupo de classificados para a Copa Libertadores da América.

"Sabemos que o G-4 ainda não é a nossa realidade. Queremos ter um desempenho parecido com o de jogos marcantes que já fizemos no ano para buscar uma aproximação do bloco de cima. Antes, faltou um pouco de foco, pois estávamos pensando em Campeonato Paulista, Libertadores, Recopa… Issso dispersa mesmo. Somos humanos", justificou Tite.

De qualquer forma, a situação do Corinthians é invejável se comparada à do São Paulo. A equipe do Morumbi tem convivido com uma série de problemas desde substituição do técnico Ney Franco por Autuori, com direito à discussão do presidente Juvenal Juvêncio com associados em meio a um churrasco e a pedido de demissão do diretor de futebol Adalberto Baptista.

"Neste momento, a gente se encontra em baixa. Sabemos que temos um grupo qualificado, mas, infelizmente, não estamos conseguindo os resultados. Já mostramos alguma evolução. Agora, precisamos vencer jogos. Uma vitória em um clássico é muito importante", comentou o zagueiro Rafael Toloi, ainda abatido.

Tendo o Internacional como último algoz (derrota por 1 a 0 no Morumbi), o São Paulo estacionou nos 8 pontos e já disputou dois jogos a mais em relação à maioria de seus concorrentes. Para piorar, o time que só acumulou decepções contra o Corinthians em 2013 está em vias de fazer uma cansativa excursão – viajará na segunda-feira para disputar a Copa Audi (na Alemanha), a Copa Eusébio (em Portugal) e a Copa Suruga (no Japão).

Revelado justamente pelo São Paulo, o atacante Emerson é um dos corintianos que tentam não se deixar levar pela crise adversária. "A gente fica surpreso que o São Paulo esteja assim, por sua grandeza, pelos profissionais que tem. Acompanho pela televisão e vejo que o ambiente não está legal, com brigas e confusões. Fico triste porque tenho amigos lá", disse o Sheik, nem sempre respeitoso a seus rivais.

Emerson é um reforço do Corinthians para o Majestoso. Assim como o seu parceiro de ataque Paolo Guerrero, outro que está de volta, ele havia sido poupado do jogo com o Atlético-PR. O volante Ralf também não atuou no Sul, em função de uma lesão na virilha direita, porém está à disposição de Tite. Maldonado, Renato Augusto e Alexandre Pato, portanto, retornarão ao banco de reservas.

No São Paulo, os problemas se estendem à formação da equipe. Paulo Autuori não terá o atacante Luis Fabiano (chamado de "pipoqueiro" por corintianos e tricolores na final da Recopa), com uma contratura muscular na coxa direita. Como o substituto imediato Aloísio cumprirá suspensão automática, o titular será Ademilson.

No meio-campo, Wellington ocupará a vaga de Denilson, que passou por uma artroscopia no joelho direito. E, na defesa, o desfalque é o lateral esquerdo argentino Clemente Rodríguez, com dores na coxa esquerda. Reinaldo é o mais cotado para a vaga, mas Douglas pode ser improvisado, o que abriria espaço para Lucas Farias na direita. O treinador ainda barrou o veterano Lúcio até da lista de relacionados e tem dúvida sobre Ganso, que pode ceder espaço para Maicon.